1.
Modelos de fé e seus componentes-chave
Enquanto a reflexão
filosófica sobre a fé de um tipo exemplificado na fé religiosa
pode ser idealmente esperado produzir uma definição combinada em
termos de condições necessárias e suficientes que articulam a
natureza da fé, a presente discussão procede identificando
componentes-chave que ocorrem em diferentes abordagens de fé
religiosa. O objetivo também é identificar o alcance focal de
problemas no qual diferentes instâncias são tomadas por diferentes
abordagens. Há uma pluralidade existente de entendimentos
filosóficos ou modelos de fé do tipo religioso. Essa discussão
então foca em montar dialeticamente uma organização dessa
pluralidade, enquanto também dá indicações das razões que podem
haver para preferir modelos particulares invés de outros. Desde que
“religião” em si pode bem significar uma universal “família
de assemelhados”, essencialismo sobre fé do tipo religioso pode
ser mal colocado. Não obstante, o conceito de fé como encontrado na
tradição abraâmica teísta religiosa é amplamente considerado
como unificado o suficiente para uma investigação em sua natureza
para dar sentido, mesmo uma bem-sucedida definição é esperar
demais (esse tipo de fé pode ser concebido como um conceito
primitivo, por exemplo).
Note que alguns filósofos
aproximam-se do alvo da fé religiosa primeiro classificando e
analisando usos ordinários da linguagem do termo “fé” e
locuções nas quais o termo ocorre. Veja, em exemplos recentes, Audi
2011 (Capítulo 3, seção 1), que identifica sete diferentes tipos
de fé, e Howard-Snyder (2013b), que se esforça para dar uma análise
geral da fé “proposicional” - i.e., fé de que p é verdade,
onde p é uma proposição relevante. A presente discussão, no
entanto, lida diretamente com a noção alvo do tipo de fé
exemplificado na fé religiosa,
assumindo o conhecimento de fundo de um trabalho de compreensão da
noção como empregada em formas religiosas de vida, e
especificamente naquelas pertencentes à tradição teísta. Insights
da análise da fé entendida mais amplamente pode, no entanto, ser
importante em construir modelos de fé do tipo religioso, como
emergirá abaixo na discussão da fé religiosa como um tipo de
confiança (Seção 6).
A
noção de fé religiosa como a possessão de um todo de pessoas é
familiar, e defensável
teologicamente,
principalmente,
em tradições teístas. Abordagens filosóficas da fé teísta
tipicamente focam, no entanto, no que é para uma pessoa individual
“ter fé” ou ser “uma pessoa de fé”. Uma ampla inicial
distinção é entre pensar a fé somente como um estado da
pessoa e pensar isso como também envolvendo um ato, ação
ou atividade de uma pessoa. A
fé pode ser um estado de alguém estar em, ou vem a ser em; pode
também essencialmente envolver alguma coisa
que alguém faz. Uma adequada abordagem da fé, talvez, precise
abarcar ambas. No contexto cristão
a fé cristã é entendida
como um presente de Deus e também como requerido de uma resposta
humana de assentimento e confiança, assim que a fé dele é alguma
coisa com respeito ao qual as pessoas estão ambas receptivas e
ativas.
Há,
no entanto, alguma tensão em entender a fé como um presente a ser
recebido e como essencialmente envolvendo uma ventura a ser querida e
ordenada. Uma abordagem filosófica da fé pode ser esperada para
iluminar esse aparente paradoxo. Um princípio para classificar
modelos de fé é segundo a extensão a qual eles reconhecem como um
componente ativo na fé em si mesma, e a maneira que eles identificam
que o componente ativo e sua relação com os outros componentes da
fé. É útil considerar os componentes da fé (variadamente
reconhecidos e enfatizados em diferentes modelos de fé) como
dividindo-se
em três amplas categorias: o afetivo,
o cognitivo e o
prático. Existem
também componentes avaliativos
na fé – estes podem aparecer como implicados no componente afetivo
e/ou cognitivo, de acordo com a preferência de
alguém de
uma metateoria de valor.
2.
O componente afetivo da fé
Um
componente da fé é um certo tipo de estado afetivo psicológico –
a saber, um estado de sentir confidente e confiante. Alguns
filósofos sustentam que a fé é para ser identificada simplesmente
com esse estado: veja, por exemplo, Clegg (1979, 229) que sugere que
isso pode ser visto no entendimento de Wittgenstein. Fé nesse
sentido – como um global “padrão” de atitude na vida – provê
uma fundação valiosa para prosperar: sua perda é reconhecida como
a calamidade psíquica de “alguém perder sua fé”. Mas se
confidência fundacional existencial é para caracterizar no modelo
de fé de um tipo exemplificado pelos teístas, mais precisa ser
adicionado sobre o tipo de confidência envolvido. A fé teísta é
essencialmente fé em
Deus.
Em geral, a fé de um tipo exemplificado pela fé teísta deve ter
algum objeto
intencional.
Pode assim ser argumentado que um modelo adequado desse tipo de fé
não pode ser reduzido a alguma coisa puramente
afetiva: algum amplo componente cognitivo
é também requerido.
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