quarta-feira, 8 de março de 2017

Fé (Parte 1 de 10)

1. Modelos de fé e seus componentes-chave

Enquanto a reflexão filosófica sobre a fé de um tipo exemplificado na fé religiosa pode ser idealmente esperado produzir uma definição combinada em termos de condições necessárias e suficientes que articulam a natureza da fé, a presente discussão procede identificando componentes-chave que ocorrem em diferentes abordagens de fé religiosa. O objetivo também é identificar o alcance focal de problemas no qual diferentes instâncias são tomadas por diferentes abordagens. Há uma pluralidade existente de entendimentos filosóficos ou modelos de fé do tipo religioso. Essa discussão então foca em montar dialeticamente uma organização dessa pluralidade, enquanto também dá indicações das razões que podem haver para preferir modelos particulares invés de outros. Desde que “religião” em si pode bem significar uma universal “família de assemelhados”, essencialismo sobre fé do tipo religioso pode ser mal colocado. Não obstante, o conceito de fé como encontrado na tradição abraâmica teísta religiosa é amplamente considerado como unificado o suficiente para uma investigação em sua natureza para dar sentido, mesmo uma bem-sucedida definição é esperar demais (esse tipo de fé pode ser concebido como um conceito primitivo, por exemplo).

Note que alguns filósofos aproximam-se do alvo da fé religiosa primeiro classificando e analisando usos ordinários da linguagem do termo “fé” e locuções nas quais o termo ocorre. Veja, em exemplos recentes, Audi 2011 (Capítulo 3, seção 1), que identifica sete diferentes tipos de fé, e Howard-Snyder (2013b), que se esforça para dar uma análise geral da fé “proposicional” - i.e., fé de que p é verdade, onde p é uma proposição relevante. A presente discussão, no entanto, lida diretamente com a noção alvo do tipo de fé exemplificado na fé religiosa, assumindo o conhecimento de fundo de um trabalho de compreensão da noção como empregada em formas religiosas de vida, e especificamente naquelas pertencentes à tradição teísta. Insights da análise da fé entendida mais amplamente pode, no entanto, ser importante em construir modelos de fé do tipo religioso, como emergirá abaixo na discussão da fé religiosa como um tipo de confiança (Seção 6).

A noção de fé religiosa como a possessão de um todo de pessoas é familiar, e defensável teologicamente, principalmente, em tradições teístas. Abordagens filosóficas da fé teísta tipicamente focam, no entanto, no que é para uma pessoa individual “ter fé” ou ser “uma pessoa de fé”. Uma ampla inicial distinção é entre pensar a fé somente como um estado da pessoa e pensar isso como também envolvendo um ato, ação ou atividade de uma pessoa. A fé pode ser um estado de alguém estar em, ou vem a ser em; pode também essencialmente envolver alguma coisa que alguém faz. Uma adequada abordagem da fé, talvez, precise abarcar ambas. No contexto cristão a fé cristã é entendida como um presente de Deus e também como requerido de uma resposta humana de assentimento e confiança, assim que a fé dele é alguma coisa com respeito ao qual as pessoas estão ambas receptivas e ativas.

Há, no entanto, alguma tensão em entender a fé como um presente a ser recebido e como essencialmente envolvendo uma ventura a ser querida e ordenada. Uma abordagem filosófica da fé pode ser esperada para iluminar esse aparente paradoxo. Um princípio para classificar modelos de fé é segundo a extensão a qual eles reconhecem como um componente ativo na fé em si mesma, e a maneira que eles identificam que o componente ativo e sua relação com os outros componentes da fé. É útil considerar os componentes da fé (variadamente reconhecidos e enfatizados em diferentes modelos de fé) como dividindo-se em três amplas categorias: o afetivo, o cognitivo e o prático. Existem também componentes avaliativos na fé – estes podem aparecer como implicados no componente afetivo e/ou cognitivo, de acordo com a preferência de alguém de uma metateoria de valor. 


2. O componente afetivo da fé

Um componente da fé é um certo tipo de estado afetivo psicológico – a saber, um estado de sentir confidente e confiante. Alguns filósofos sustentam que a fé é para ser identificada simplesmente com esse estado: veja, por exemplo, Clegg (1979, 229) que sugere que isso pode ser visto no entendimento de Wittgenstein. Fé nesse sentido – como um global “padrão” de atitude na vida – provê uma fundação valiosa para prosperar: sua perda é reconhecida como a calamidade psíquica de “alguém perder sua fé”. Mas se confidência fundacional existencial é para caracterizar no modelo de fé de um tipo exemplificado pelos teístas, mais precisa ser adicionado sobre o tipo de confidência envolvido. A fé teísta é essencialmente fé em Deus. Em geral, a fé de um tipo exemplificado pela fé teísta deve ter algum objeto intencional. Pode assim ser argumentado que um modelo adequado desse tipo de fé não pode ser reduzido a alguma coisa puramente afetiva: algum amplo componente cognitivo é também requerido.


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Autor do verbete: John Bishop


Bibliografia

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