Agora sobre fé, lançarei para vocês mais uma série de traduções de um verbete da Stanford Encyclopedia of Philosophy. O verbete pertence ao filósofo John Bishop, professor da Universidade de Auckland na Nova Zelândia. As traduções serão dividas em 10 partes, mais ou menos conforme os capítulos feitos na página do verbete fé da Stanford. Os capítulos 1 e 2 serão lançados juntos, porque o capítulo 2 é muito pequeno para ser lançado sozinho. Como aconteceu na outra série de traduções, no final, vou publicar a tradução completa em pdf. Por enquanto fiquem com a tradução da introdução ao assunto. Divirtam-se
Fé
Fé
O que é a fé? Esse verbete
foca na natureza da fé,
embora questões sobre a justificabilidade da
fé também são implicadas.
“Fé”
é um termo amplo, aparecendo em locuções que expressam uma
variedade de diferentes conceitos. No seu uso mais comum “fé”
significa o mesmo que “confiar”. Esse
verbete está especificamente interessado, no entanto, com a noção
de fé religiosa –
ou, melhor (e isso é uma qualificação importante), o
tipo de fé exemplificado na fé religiosa.
Abordagens filosóficas são
quase exclusivamente sobre fé religiosa teísta
– fé em Deus – e elas geralmente, embora não exclusivamente,
lidam com a fé como entendida dentro do ramo cristão das tradições
abraâmicas. Mas, embora o
contexto religioso teísta decida qual é o tipo de fé que
interessa, a questão surge se a fé daquele mesmo tipo
comum também pertence a outro
contexto religioso não teísta, ou ao contexto não usualmente
pensado como religioso.
A
presente discussão foca na
fé religiosa teísta como um paradigma de tipo de fé que interessa,
embora a questão da fé fora desse contexto é falado na seção
final (11). Reflexão filosófica na fé religiosa teísta tem
produzido diferentes abordagens ou modelos de sua natureza. Esse
verbete sugere que existem diversos componentes-chave
que podem caracterizar, com ênfases variadas, esses
modelos de fé – em particular, o afetivo, o
cognitivo, o
avaliativo, o
prático (ou, como alguns podem
dizer, o volicional).
Isso sugere também que há uma variedade de diferentes princípios
de acordo com o qual modelos de fé podem ser categorizados,
incluindo
-
como o modelo relaciona a fé como um estado de componentes ativos associados com a fé;
-
se o modelo toma o objeto da fé sendo exclusivamente proposicional ou não;
-
o tipo de epistemologia com o qual o modelo é associado – se é amplamente “evidencialista” ou “fideísta”;
-
se o modelo é necessariamente restrito à fé religiosa teísta, ou pode ser estendido além disso.
Não há uma única
terminologia “estabelecida” para diferentes modelos de fé. Uma
breve caracterização inicial dos principais modelos de fé e suas
nomenclaturas como eles se exibem nessa discussão pode mesmo assim
ser útil – eles são:
-
o modelo “puramente afetivo”: a fé como um sentimento de confidência existencial
-
o modelo “conhecimento especial”: a fé como conhecimento de verdades específicas, reveladas por Deus
-
o modelo “crença”: a fé como crença de que Deus existe (onde o objeto da crença é uma proposição determinada)
-
o modelo “confiança”: a fé como acreditar em (no sentido de confiar em) Deus (onde o objeto da crença ou confiança não é uma proposição, mas Deus “ele mesmo”)
-
o modelo “ventura doxástica”: a fé como comprometimento prático além da evidência da crença de que Deus existe
-
modelos “sub” e “não ventura doxástica”: a fé como comprometimento prático a uma positivamente relevante avaliação de afirmação de verdade, ainda sem crença
-
o modelo “esperança”: a fé como a esperança – ou agir na esperança - de que o Deus que salva existe.
Esse verbete procede
dialeticamente, com a seção posterior pressupondo a discussão
anterior.
-
1. Modelos de fé a seus componentes-chave
-
2. O componente afetivo da fé
-
3. A fé como conhecimento
-
4. Fé e razão: a epistemologia da fé
-
5. A fé como crença
-
6. A fé como confiança
-
7. A fé como ventura doxástica
-
8. A fé como sub ou não ventura doxástica
-
9. A fé como esperança
-
10. A fé como uma virtude
-
11. A fé além do teísmo (ortodoxo)
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