3.
Fé como conhecimento
Qual tipo de componente
cognitivo pertence à fé, então? Um modelo identifica a fé como
conhecimento de verdades
específicas, reveladas por Deus. Tal modelo tem
recebido
proeminente defesa recente no trabalho de Alvin Plantinga, que propõe
um modelo de fé no qual ele segue
a tradição dos
reformadores, principalmente João Calvino (veja Plantinga 200,
168-86). Calvino define
a fé assim: “um firme e certo conhecimento da benevolência de
Deus com respeito a nós, fundado na verdade da livremente dada
promessa em Cristo, revelado em nossas mentes e selado em nossos
corações através do Espírito Santo” (João Clavino, Institutes
III, ii, 7, 551, citado por
Plantinga (2000, 244)).
Apelo
a uma faculdade cognitiva especial
Epistemologias “reformadas”
têm apelado a uma epistemologia externalista a fim de sustentar que
a fé teísta pode ser justificada embora sua verdade não é mais do
que basicamente evidente para o crente – isto é, sua
verdade não é racionalmente inferível de outras, mais básicas,
crenças, mas é estabelecida por ser imediatamente evidente na
experiência do crente (veja Plantinga e Wolterstorff 1983, Alston
1991, Plantinga 2000). Na versão de Plantinga, crenças teístas
contam como conhecimento porque elas são produzidas pela operação
de uma faculdade cognitiva especial cujo design funcional encaixa
para o propósito de gerar crenças verdades sobre Deus. Plantinga
chama isso de sensus divinitatis, usando o termo de Calvino.
(Para uma discussão da extensão a qual o uso de Plantinga do termo
conforme o próprio uso do Calvino ver Jeffrey 1997 e Helm 1998.)
Essa faculdade quase-perceptual bate com os critérios funcionais
como um mecanismo que confere “garantia” (onde garantia é o que
quer que deve ser adicionado a uma crença verdadeira para produzir
conhecimento) e, concedida a verdade do teísmo, isso produz
conhecimento porque Deus o desenha justamente para esse propósito.
Em defesa especificamente da crença cristã, Plantinga argumenta que
o mesmo status de conferência de garantia pertence a operação do
Espírito Santo em fazer as grandes verdades do Evangelho diretamente
conhecidas pelo crente.
A
acolhedora certeza da fé
Esse apelo a uma “alta”
faculdade cognitiva dada por Deus é encontrado (no início do século
XII) em Libertação do Erro [tradução direta] de
Al-Ghazali, onde é provido a chave para a resolução “Sufi” de
sua crise religiosa e suas dúvidas céticas sobre a libertação da
percepção dos sentidos e da desassistida razão humana. Fé é
assim entendida como um tipo de conhecimento tratada por uma certeza
que exclui dúvidas. Mas a fé não será exclusivamente cognitiva,
se, como na definição de Calvino, o conhecimento-fé não é
somente “revelado a nossas mentes” mas também “selada em
nossos corações”. Pois nesse modelo de fé irá também ter um
componente afetivo/avaliativo que inclui um acolhedor conhecimento
recebido.
Os
aspectos práticos da fé no modelo “conhecimento especial”
Esse modelo de fé como
conhecimento especial, certo e acolhedor, exibe a fé como
essencialmente algo a ser recebido. Não obstante, o modelo pode
admitir um componente prático, porquanto uma resposta ativa é
requerida para a recepção do presente divino. Assim o componente
prático é implicado pela real possibilidade de que a fé pode ser
resistida: de fato, cristãos podem sustentar que em nosso estado
pecaminoso nós vamos inevitavelmente oferecer uma resistência à fé
que pode ser superada somente pela graça de Deus. Isso é, no
entanto, um próximo passo para as pessoas de fé colocar seus
conhecimentos revelados em prática pela sua confiança de suas vidas
a Deus e procurar obedecer a sua vontade. Posto o modelo
“conhecimento especial” de fé, no entanto, essa atividade conta
como “agir” na sua fé em vez de uma parte da fé em si mesma.
Pessoas de fé assim agem “em”, “através” ou “pela” fé:
mas, nesse modelo, sua própria fé é o acolhedor conhecimento
revelado no qual eles agem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário